Docentes federais ampliam mobilização e realizam mais uma rodada de assembleias

01_bxApós uma semana marcada pela intensificação da luta, com a Marcha à Brasília, e pela reunião entre docentes federais e o governo, resultado da força de mobilização da categoria docente, ao lado dos demais setores do funcionalismo público, o Comando Nacional de Greve (CNG) do ANDES-SN encaminhou na sexta-feira (24), a realização de mais uma rodada de assembleias gerais nas seções sindicais até o dia 31 de julho. O objetivo é avaliar junto às bases das instituições federais de ensino (IFE) a conjuntura e o momento da greve dos docentes, que já completa oito semanas.

De acordo com o comunicado nº 27 do CNG, as últimas reuniões com o governo federal, tanto com o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (SPF) quanto com a setorial, não trouxeram respostas efetivas às reivindicações dos docentes, impedindo o avanço do processo negocial, além de ignorar a realidade de crise instalada na Educação Federal, aprofundada pelos cortes no orçamento. Na última reunião setorial, em 22 de julho, entre as entidades representantes dos docentes da Educação Federal e a Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SRT/Mpog), o governo reafirmou a proposta, anteriormente apresentada ao Fórum dos SPF, de reajuste de 21,3%, parcelado em quatro anos.

“Nós avaliamos que o governo usa da estratégia de fragmentação, ‘de dividir para conquistar’, como uma antiga tática de guerra. O que eles querem é que as reuniões setoriais façam com que os aumentos sejam diferentes para cada categoria. Mas, nós, do ANDES-SN, enquanto uma das categorias dos servidores públicos federais e vanguarda do movimento grevista, defendemos uma política salarial isonômica, com reposição das perdas decorrentes da inflação. Além da nossa pauta específica, enquanto docentes federais, da reestruturação [da carreira docente]”, aponta Avery Veríssimo, docente da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Dessa forma, o docente aponta a importância da realização das assembleias nos estados. “Como as nossas pautas não foram atendidas, a gente precisa fazer mais uma rodada de assembleias para ver como está o sentimento das bases em relação à última proposta do governo”. A rodada de assembleias servirá também para indicar as estratégias de negociação da política salarial a serem defendidas no Fórum dos SPF para intervenção conjunta na próxima reunião com o Mpog – ainda sem data.

Além disso, o CNG orienta que os docentes federais devem realizar, nas próximas semanas, debates com a comunidade acadêmica e com a administração universitária sobre o efeito dos cortes orçamentários no funcionamento das IFE; seguir pressionando as reitorias para exigir dados sobre as vagas docentes disponíveis e os impactos do funcionamento das atividades de ensino, pesquisa e extensão; e articular, nos estados, reuniões com as entidades dos SPF para fortalecer a unidade e realizar atividades de mobilização conjunta, com o objetivo de ampliar a visibilidade da greve e das reivindicações especificas.

“Nesse momento, todos os estados estão mobilizados ao lado de outras categorias e movimentos sociais, pois o nosso objetivo é conquistar a sociedade para o nosso lado, para mostrar que a nossa greve é pelo ensino público, gratuito, socialmente referenciado. Ao lutar pela educação, nós estamos construindo um projeto de nação”, afirma Veríssimo.